O cansaço já não era só físico.
O cansaço era também psicológico, emocional.
Veio tudo em catadupa e senti-me incrívelmente perdida, sem saber mais o que pensar, o que fazer.
O caminho tornou-se de tal maneira penoso, que cheguei a duvidar de mim, insensatamente.
Mas deu-me a coragem para pedir ajuda.
Sózinha já não serei capaz de me organizar internamente. É um sofrimento medonho ter noção de determinadas realidades, ter noção de mim, do que de facto quero e não quero. Mas pior ainda tem sido partir para a acção.
Já há algum tempo que tenho vindo a despertar para o facto de me permitir ser egoísta. E depois da minha primeira consulta de psicoterapia, e de a minha Psicóloga me ter falado no livro "Mulheres que amam demais", revi-me nas palavras do texto. Revi como um filme o que tem sido a minha vida ao longo destes anos. Ultimamente já não me permitia deixar de estar com os meus amigos, ou controlar, porque até nem gosto nada que me controlem. Por isso não faço aos outros o que não gosto que me façam. Já não conseguia dedicar-me tanto numa relação, porque eu já conseguia ver que o outro iria abafar-me, manipular-me; já conseguia ver que o outro estava com desiquílibrios bem maiores que os meus; mas no fim de ver tanta coisa ainda teimava de certa forma em manter esta estranha forma de amar.
Tomei consciência que não quero sofrer mais. Que estou cansada de ser transparente. De ser invisível. De não me darem o benifício da dúvida. De me mentirem, de me sentir traída. Cansada dos pedidos de desculpa e de investir numa relação que eu sei que não é viável e me causa dor. Cansada de idealizar relações que não consigo alcançar, cansada de estar sempre a espera que o outro me veja como sou, que me faça feliz. Cansada de ceder e não ter nada em troca a não ser lágrimas e sofrimento.
Isto sei que não quero para mim.
Não tenho que pedinchar atenção, carinho.
Não tenho que estar sempre com medo que sejam violentos comigo.
Não tenho que me desgastar desta forma nada saudável.
Nem tenho que perdoar todo o mal que me fazem e que eu também inconscientemente permito que me façam.
PEDI AJUDA!!
E estou feliz comigo por finalmente o ter feito.
Tenho vergonha de com esta idade não me sentir uma pessoa estável emocionalmente, mas sei que não vou ficar assim eternamente e que também vou ter um longo caminho pela minha frente. E que vou conseguir vencer e quebrar este ciclo.
Não quero que a minha filha tenha esta herança, porque a amo acima de tudo. A felicidade e assertividade da minha princesa depende de mim.
A minha felicidade está nas minhas mãos e vou fazer tudo para me libertar e finalmente alcançar as metas que tanto desejo.
(e tudo porque tive uma família disfuncional... e pensava eu que tinha tido a capacidade de superar as lacúnas...)
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