Estranha forma de me "amarem"

De me "amarem"!
Sim!
Porque de facto não me amam como eu idealizo, como eu ambiciono, como eu sonho!!
Tem sido um ciclo de dor e sofrimento até eu ter tomado a decisão difícil de que não há um só culpado. Eu também sou culpada! E basta!!
Amor não é dor!
É verdade.
E quando digo isto, falo a todos os níveis. Nas relações familiares, nas relações de pares, nas relações amorosas.
Com os amigos tive algumas desilusões normais, como todos os comuns mortais. Nada de transcendente, até porque são poucos os que considero meus amigos.
Mas foi e é nas relações familiares e amorosas que tenho tido o maior dos embates e o maior do mau-trato.
Os pais devem e espera-se deles, que favoreçam aos filhos as condições essenciais ao desenvolvimento físico, motor, intelectual, emocional e social.
Enquanto profissional na área social, tão bem identifico as situações de mau trato, abuso, risco e negligência e não fui capaz de identificar de forma assertiva o mau trato e abuso a que era sujeita.
No meu caso, fui tratada por ambos de forma desajustada, com negligência, abuso psicológico e físico e estão a reflectir-se na minha vida enquanto adulta.
Tomei consciência que não posso viver mais desta forma e que não quero ser mal-tratada nunca mais!!
Nunca mais!!
Não quero mais investir em relações fracassadas desde o início.
Instintivamente a voz da consciência sempre me alertou que não iria resultar. Até porque eu sempre tenho "olho clínico" para esse determinado tipo de pessoa (agressor"). E eu teimava como se fosse a minha sina.
Amar o próximo é algo natural que sai dentro de mim, na forma de dedicação, respeito, empenho, solidariedade...
E acabo por fazer mais do que devia.
Cedi muitas vezes a minha essência.
E fui a vítima perfeita!
Ser agredida física, psíquica e verbalmente já não era tão normal! E doía e dói tanto meu Deus!
Como podem aquelas pessoas que eu amo e que dizem que me amam, serem capazes de me maltratarem, serem capazes de tanta violência gratuita?!
E como posso eu amar pessoas assim?!
Era e é um choque.
E era também um hábito.
Um ciclo!
Só tinha que me habituar, pois se me tratam assim é porque mereço, pensava eu!
Era uma menina/mulher feia que concerteza tinha feito alguma coisa errada e depois, se me amam como dizem, então é correcto o que me estão a fazer!
E vinham então os silêncios, as ameaças, as chantagens e as desculpas.
Mil perdões!!
Que não conseguem viver sem mim, que estão arrependidos, que vão mudar, blá, blá, blá, blá, flores, perfumes, jantares, anéis, blá, blá, blá, blá, nova lua de mel!!!
E eu perdoo!
Estúpida!
"Coitados! Não têm culpa e eu até sou bos pessoa e tenho um coração grande e tenho mais é que perdoar por isso mesmo e pelo favor que me fazem em dizer que me amam!!"
Egoístas!!
E vem então o esquecimento tipo flash, do que me magoou e do que me fez chorar lágrimas de sangue.
Voltamos ao princípio e o filme volta a desenrolar-se com o mesmo tipo de final:
humilhada
maltratada
com medo
frustrada
ferida
vazia
amnésica
mecânica!(...)
Porque depois também já nem se lembram.
E a maneira que têm de reconquistar a minha confiança e pessoa, é voltarem ao mau-trato e aos perdões.
Que estranha forma de "amar"!
Foi durante um conflito com ambos os relacionamentos, familiar e amoroso, que se fez um click cá dentro e decidi agir.
Agi pelo cansaço do ciclo.
Agi por estar cansada de me dedicar e só receber estaladas.
Agi por estar farta que abusem de mim!
E quando agi, a resposta foi de extrema violência!
A surpresa que receberam foi de tal ordem, que reagiram negativamente contra a minha decisão de "basta".
Porque no fundo nunca me amaram!
E eu nem sequer sei o que é ser amada de forma saudável!
A zona confortável que lhes proporcionava de mimo, atenção, respeito, dedicação, tinha terminado para eles.
E o nada que me davam continuou a ser monstruosamente nada do que eu queria!
"Naturalmente cuidadora". E abusaram de mim.
Tudo o que eu quero é tão simples:
atenção
amor
colo
carinho
respeito
que cuidem também de mim...
Mas eles não sabem o que isto é.
Eu também não sei o que é ter, mas sei que é isto que quero ter para mim.
Oportunidades?!
Perdão?!
É a mim que terei que dar as oportunidades e os perdões, por todo o mal que permiti que me fizessem.
De facto, quem ama, quem se ama, não esquece e não pode esquecer o mau, o errado, o sofrimento!
E eu tenho que aprender a respeitar-me, a amar-me e a perdoar-me.
Tenho que aprender o que é afinal o AMOR!!!

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