O facto de ter falado com alguém entendido, a minha psicóloga, deixou-me menos tensa, mais confiante no futuro.
Falei de muitos assuntos, na minha ânsia de descarregar o que me inquieta cá dentro e ouvi também muitas coisas.
Ouvi: "ninguém é perfeito"!
Sim. Agora comecei a tomar consciência que não há pessoas perfeitas.
Que não sou perfeita.
Mas quem quer ser imperfeito?!
As exigências da sociedade não passam por termos defeitos e limitações.
Para termos sucesso e sermos aceites nesta selva competitiva, acreditava eu, que tinha que ter uma vida perfeita! Imaginei que só eu tinha uma vida bem dificíl, em relação às outras pessoas. De certa forma até tenho. Tudo é a pulso e completamente sózinha, sem retaguarda, sem ninguém que me possa ajudar em alturas mais complicadas, como a que estou a passar agora.
Nunca me permiti falhar e penalizava-me bastante quando assim não acontecia. Não podia transparecer falhanços, medos e inseguranças. Nunca partilhei as minhas preocupações.
Nem pensar!!
Via as barbies e os kens todos lindos, maravilhosos nas suas vidas perfeitas.
Eu não sou a barbie. Sou antes o modelo mais pobre e da gama mais baixa, mas não queria ficar atrás nessa historieta de "vidas perfeitas".
E chorar?!
Nem pensar!!
Barafustar, argumentar muito menos.
Isso não é requisito de perfeição neste mundo e muito menos no do trabalho!
E principalmente onde eu ambicionava entrar.
Decidi fingir então, quando finalmente consegui alcançar a grande entrada profissional.
Uma capa para a Miss!
Não foi nem trono nem coroa que conquistei, mas sim uma cadeira bem instável.
Trabalho!
Dedico-me!
Esforço-me!
Fui recompensada?
Claro que não.
Mas então o que está errado em tanto sacrifício?!
Depois de tanto pensar, é no sacrifício que está a resposta. Tudo o que sai fora do âmbito do prazer, da satisfação, não pode ser recompensa, nem para mim, nem pelos outros.
É visto talvez como submissão, como falta de personalidade!
E personalidade eu sei que tenho.
Mas errei nesta busca. Forças e energias mal rentabilizadas e mal direccionadas!
E qual é o problema afinal de não se ser perfeito?!
É bem mais fácil ser-se livre... e ser imperfeita na perfeição!
No entanto sempre senti no pescoço o aço do machado e a pressão de ser quem não sou...
Permiti-me ser destruída por alguém que nunca valeu a pena.
Um dia destes explico tudo.
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